{"id":133,"date":"2020-08-28T17:35:41","date_gmt":"2020-08-28T17:35:41","guid":{"rendered":"https:\/\/fbln.me\/phd-hints\/?p=133"},"modified":"2020-12-01T16:45:01","modified_gmt":"2020-12-01T16:45:01","slug":"o-brasil-precisa-formar-doutores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fbln.me\/phd-hints\/2020\/08\/28\/o-brasil-precisa-formar-doutores\/","title":{"rendered":"O Brasil precisa formar doutores"},"content":{"rendered":"\r\n<div class=\"boldgrid-section\">\r\n<div class=\"container\">\r\n<div class=\"row\">\r\n<div class=\"col-md-12 col-xs-12 col-sm-12\">\r\n<p class=\"\">O doutorado \u00e9 o \u00e1pice da carreira acad\u00eamica de um indiv\u00edduo. Ao inici\u00e1-lo, o estudante assume um compromisso de avan\u00e7ar para al\u00e9m da fronteira da ci\u00eancia e desenvolver habilidades que s\u00e3o esperadas num pesquisador, raz\u00e3o pela qual esse processo dura em m\u00e9dia quatro anos.<\/p>\r\n<p class=\"\">Apesar de o Brasil ter conseguido um incremento consider\u00e1vel de profissionais com essa forma\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o panorama geral ainda mostra uma um grande abismo quando os n\u00fameros brasileiros s\u00e3o comparados com a realidade de outros pa\u00edses.<\/p>\r\n<p class=\"\">De acordo com pesquisa apresentada em 2015 pelo Centro de Gest\u00e3o e Estudos Estrat\u00e9gicos (CGEE) [1], a taxa de programas de doutorado vem crescendo no Brasil de forma significativa desde 1996. A mesma pesquisa apresenta que os programas multidisciplinares foram os que mais cresceram no per\u00edodo analisado (1.654,5%). Por outro lado, os doutorados voltados para a \u00e1rea das ci\u00eancias exatas e da terra tiveram o menor crescimento (102,2%) dentre os analisados. Todo esse aumento de oferta tamb\u00e9m fez com que fossem formados mais doutores. No per\u00edodo analisado houve um crescimento de 486,2% na concess\u00e3o desses t\u00edtulos no pa\u00eds. Novamente as \u00e1reas multidisciplinar e de ci\u00eancias exatas da terra continuaram nos extremos quando se tratou de quantidade de formandos. Sendo o aumento de formandos nessas duas \u00e1reas de 36.600% e 250,8%, respectivamente.<\/p>\r\n<p>Apesar desse aumento consider\u00e1vel na forma\u00e7\u00e3o de doutores, o Brasil ainda est\u00e1 muito distante das na\u00e7\u00f5es consideradas desenvolvidas. De acordo com as informa\u00e7\u00f5es apresentadas no relat\u00f3rio t\u00e9cnico da Capes de 2017 [2], que se baseia em uma pesquisa da Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), na ocasi\u00e3o o Brasil possu\u00eda aproximadamente 8 doutores (7,6) por 100 mil habitantes, enquanto que a m\u00e9dia entre os pa\u00edses desta organiza\u00e7\u00e3o era de 28 doutores para cada 100 mil habitantes. Essa baixa propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o com doutorado fez com que o Brasil aparecesse nas \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es do ranking apresentado na pesquisa, ficando apenas na frente do M\u00e9xico e Chile que apresenta, 4,2 e 3,4 doutores por 100 mil habitantes, respectivamente. O pa\u00eds logo a frente do Brasil no ranking \u00e9 a Hungria com uma m\u00e9dia de 11,6 doutores por 100 mil habitantes (42% a mais que o Brasil) e o mais bem colocado foi a Eslov\u00eania com 56,6.<\/p>\r\n<p>Evidentemente que o doutorado n\u00e3o est\u00e1 nos planos de muitos dos estudantes que ingressam na educa\u00e7\u00e3o superior, assim como nem todo mundo precisa ter uma educa\u00e7\u00e3o superior para desempenhar seu papel numa sociedade. Contudo, o fato \u00e9 que mesmo aqueles que t\u00eam interesse no doutoramento acabam encontrando mais dificuldades do que facilidade nesse percurso. Pode-se citar os frequentes cortes de bolsas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o (e na ci\u00eancia)[3], a falta de apoio financeiro para participa\u00e7\u00e3o em eventos ou para desenvolvimento de atividades de pesquisa. Aliado a esses problemas, que muitos tem haver com quest\u00f5es pol\u00edticas, encontra-se um fato que \u00e9 uma caracter\u00edstica brasileira, os setores empresariais ainda absorvem poucos doutores. Essa realidade faz com que o doutorado acabe formando um excelente profissional que retorna para a Academia, diferente de outros pa\u00edses onde eles v\u00e3o ocupar posi\u00e7\u00f5es nos mais diversos setores [4]. Esse cen\u00e1rio pode ser percebido na pesquisa feita pela CGEE no qual apresenta que a maior parte dos doutores formados no per\u00edodo analisado foram ocupar cargos na \u00e1rea de Educa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\r\n<p>Diante do que foi exposto, evidencia-se a necessidade de um plano nacional para forma\u00e7\u00e3o de doutores nas mais diversas \u00e1reas de estudos. Algo desse tipo \u00e9 custoso, mas necess\u00e1rio para o progresso do pa\u00eds. Atrav\u00e9s dele espera-se que seja criado um ambiente necess\u00e1rio para que o Brasil possa avan\u00e7ar na propor\u00e7\u00e3o de doutores para se aproximar dos valores encontrados em pa\u00edses desenvolvidos. Al\u00e9m do apoio financeiro para a forma\u00e7\u00e3o, se faz necess\u00e1rio criar mais facilidades para que as empresas tenham interesse em empregar tais profissionais, como por exemplo o programa Pesquisador na Empresa do Recursos Humanos em \u00c1reas Estrat\u00e9gicas (RHAE) [5] que foi criado em 1987 para inserir mestres e doutores em empresas privadas de micro, pequeno e m\u00e9dio porte, mas que foi encerrado devido a restri\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias no fundo, que garantia o pagamento das bolsas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\r\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><strong><br><\/strong><\/p>\r\n<p>[1] Centro de Gest\u00e3o e Estudos Estrat\u00e9gicos. <strong>Mestres e doutores 2015 &#8211; Estudos da demografia da base t\u00e9cnico cient\u00edfica brasileira<\/strong>. Bras\u00edlia, DF. 2016. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.cgee.org.br\/documents\/10195\/734063\/MeD2015.pdf\/d4686474-7a32-4bc9-91ae-eb5421e0a981\">https:\/\/www.cgee.org.br\/documents\/10195\/734063\/MeD2015.pdf\/d4686474-7a32-4bc9-91ae-eb5421e0a981<\/a>&gt;. Acesso em: 13 de julho de 2020.&nbsp;<\/p>\r\n<p>[2] CAPES. <strong>Relat\u00f3rio T\u00e9cnico da DAV &#8211; Egressos da P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o: \u00c1reas Estrat\u00e9gicas<\/strong>. Bras\u00edlia, DF. 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.capes.gov.br\/images\/stories\/download\/avaliacao\/19122018_Cartilha-DAV-Egressos.pdf\">https:\/\/www.capes.gov.br\/images\/stories\/download\/avaliacao\/19122018_Cartilha-DAV-Egressos.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 13 de julho de 2020.&nbsp;<\/p>\r\n<p>[3] Juc\u00e1, Beatriz. <strong>Cortes de verbas desmontam ci\u00eancia brasileira e restringem pesquisa a mais ricos. <\/strong>Portal El Pa\u00eds (Brasil).&nbsp; Dispon\u00edvel em: &lt; <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/09\/03\/politica\/1567542296_718545.html\">https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/09\/03\/politica\/1567542296_718545.html<\/a>&gt;. Acesso em: 13 de julho de 2020.&nbsp;<\/p>\r\n<p>[4]&nbsp; Langin, Katie. <strong>In a first, U.S. private sector employs nearly as many Ph.D.s as schools do.<\/strong> Portal da Science Magazine. Dispon\u00edvel em &lt;<a href=\"https:\/\/www.sciencemag.org\/careers\/2019\/03\/first-us-private-sector-employs-nearly-many-phds-schools-do\">https:\/\/www.sciencemag.org\/careers\/2019\/03\/first-us-private-sector-employs-nearly-many-phds-schools-do<\/a>&gt;. Acesso em: 14 de julho de 2020.&nbsp;<br>[5] RHAE. Portal do CNPq. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/cnpq.br\/apresentacao-rhae\">http:\/\/cnpq.br\/apresentacao-rhae<\/a>&gt;. Acesso em: 13 de julho de 2020.<\/p>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O doutorado \u00e9 o \u00e1pice da carreira acad\u00eamica de um indiv\u00edduo. Ao inici\u00e1-lo, o estudante assume um compromisso de avan\u00e7ar para al\u00e9m da fronteira da ci\u00eancia e desenvolver habilidades que s\u00e3o esperadas num pesquisador, raz\u00e3o pela qual esse processo dura em m\u00e9dia quatro anos. 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